sábado, 24 de dezembro de 2016

CRÔNICA DE NATAL - Irmão X

Desde a ascensão de Herodes, o Grande, que se fizera rei com o apoio dos romanos, não se falava na Palestina senão no Salvador que viria enfim...Mais forte que Moisés, mais sábio que Salomão, mais suave que David, chegaria em suntuoso carro de triunfo para estender sobre a Terra as leis do Povo Escolhido.

Por isso, judeus prestigiosos, descendentes das doze tribos, preparavam-lhe oferendas em várias nações do mundo.Velhas profecias eram lidas e comentadas, na Fenícia e na Síria, na Etiópia e no Egito. Dos confins do Mar Morto às terras de Abilena, tumultuavam notícias da suspirada reforma...E mãos hábeis preparavam com devotamento e carinho o advento do Redentor.
Castiçais de ouro e prata eram burilados em Cesaréia, tapetes primorosos eram tecidos em Damasco, vasos finos eram importados de Roma, perfumes raros eram trazidos de remotos rincões da Pérsia... Negociantes habituados à cobiça cediam verdadeiras fortunas ao Templo de Jerusalém, após ouvirem as predições dos sacerdotes, e filhos tostados do deserto vinham de longe trazer ao santuário da raça a contribuição espontânea com que desejavam formar nas homenagens ao Celeste Renovador.
Tudo era febre de expectação e ansiedade. Palácios eram reconstruídos, pomares e vinhas surgiam cuidadosamente podados, touros e carneiros, cabras e pombos eram tratados com esmero para o regozijo esperado.
Entretanto, o Emissário Divino desce ao mundo na sombra espessa da noite.Das torres e dos montes, hebreus inteligentes recolhem a grata notícia... Uma estrela estranha rutila no firmamento. O Enviado, porém, elege pequena manjedoura para seu berço de luz.
Milícias angelicais rejubilam-se em pleno céu. Mas nem príncipes, nem doutores, nem sábios e nem poderosos da Terra lhe assistem a consagração comovente e sublime. São pastores humildes que se aproximam, estendendo-lhe os braços. Camponeses amigos trazem-lhe peles surradas. Mulheres pobres entregam-lhe gotas de leite alvo. E porque as vozes do Céu se fazem ouvir, cristalinas e jubilosas, cantam eles também...
- "Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os Homens!..." Ali, na estrebaria singela, estão Ele e o povo... E o povo com Ele inicia uma nova era...
É por isso que o Natal é a festa da bondade vitoriosa. Lembrando o Rei Divino que desceu da Glória à Manjedoura, reparte com teu irmão tua alegria e tua esperança, teu pão e tua veste. Recorda que Ele, em sua divina magnificência, elegeu por primeiros amigos e benfeitores aqueles que do mundo nada possuíam para dar, além da pobreza ignorada e singela. Não importa sejas, por enquanto, terno e generoso para com o próximo somente um dia...
Pouco a pouco, aprenderás que o espírito do Natal deve reinar conosco em todas as horas de nossa vida. Então, serás o irmão abnegado e fiel de todos, porque, em cada manhã, ouvirás uma voz do Céu a sussurrar-te, sutil:
- Jesus nasceu! Jesus nasceu!...
E o Mestre do Amor terá realmente nascido em teu coração para viver contigo eternamente.
Pelo Espírito Irmão X / Francisco Cândido Xavier. Antologia Mediúnica do Natal. Espíritos Diversos. FEB. Capítulo 47.

O ESPIRITISMO E O NATAL - Palestras

ESCLARECIMENTOS DA FEP SOBRE HOSPITAIS ESPIRITUAIS E POSTURA ESPÍRITA



sábado, 17 de setembro de 2016

CEMIL RECEBE PALESTRANTE DO PROJETO VAGA-LUME NO PRÓXIMO SÁBADO. PARTICIPE


COMEÇA AMANHÃ A 50ª SEMANA DA MULHER ESPÍRITA (RECIFE-PE) - CONFIRA PROGRAMAÇÃO



EM NOSSO TRABALHO


“Porque toda casa é edificada por alguém, 
mas o que edificou todas as coisas é Deus.” 
 Paulo. (HEBREUS, 3:4.) 

O Supremo Senhor criou o Universo, entretanto, cada criatura organiza o seu mundo particular. O Arquiteto Divino é o possuidor de todas as edificações, todavia, cada Espírito constrói a habitação que lhe é própria. 

O Doador dos Infinitos Bens espalha valores ilimitados na Criação, contudo, cada um de nós outros deverá criar valores que nos sejam inerentes à personalidade. A natureza maternal, rica de bênçãos, em toda parte constitui a representação do patrimônio imensurável do Poder Divino e, em todo lugar, onde exista alguém, aí palpita a vontade igualmente criadora do homem, que é o herdeiro de Deus. 

O Pai levanta fundamentos e estabelece leis. Os filhos contribuem na construção das obras e operam interferências. É compreensível, portanto, que empenhemos todo o cuidado em nosso esforço individualista, nas edificações do mundo, convictos de que responderemos pela nossa atuação pessoal, em todos os quadros da vida. 

Colaboremos no bem com o entusiasmo de quem reconhece a utilidade da própria ação, nos círculos do serviço, mas sem paixões destruidoras que nos amarrem às ilhas do isolacionismo. Apresentemos nosso trabalho ao Senhor, diariamente, e peçamos a Ele destrua as particularidades em desacordo com os seus propósitos soberanos e justos, rogando-lhe visão e entendimento. 

Seremos compelidos a formar o campo mental de nós mesmos, a erguer a casa de nossa elevação e a construir o santuário que nos seja próprio. No desdobramento desse serviço, porém, jamais nos esqueçamos de que todos os patrimônios da vida pertencem a Deus. 

 Emmanuel 
 Psicografia de Francisco Cândido Xavier 
 Livro "Vinha de Luz" - FEB

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Doutrina Espírita e Movimento: Reflexão sobre nossos comportamentos



Por Dalmo Duque dos Santos (autor e palestrante espírita)
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Fomos solicitados a contribuir com dez tópicos que consideramos essenciais para analisar e discutir possíveis incoerências entre a Doutrina Espírita e o Movimento Espírita. Aí estão. 

1. Ver Espiritismo como verdade única e absoluta. 

2. Ver equivocamente Allan Kardec como personalidade sagrada e criadora de dogmas doutrinários. 

3. Desconsiderar ou impedir o diálogo do Espiritismo com outras fontes de conhecimento. 

4. Confundir pureza doutrinária - que é a simplicidade e aplicação dos conceitos espíritas- com sectarismo doutrinário, que é complicar, limitar e obstruir as múltiplas possibilidades da doutrina. 

5. Desconsiderar a atualização permanente do Espiritismo diante das mudanças sociais e descobertas científicas. 

6. Ignorar o caráter sociocultural amplo do centro espírita reduzindo-o apenas a mero templo de adoração. 

7. Negar como fato a ineficiência da educação espírita, pelos métodos superficiais de ensino, na formação de ativistas e lideranças, considerando seu alto potencial de conhecimento e transformação pessoal. 

8. Desconhecer qual é a nossa visão de mundo a partir dos postulados espíritas. 

9. Ver o movimento espírita somente como um assunto doutrinário e não social. 

10. Negligenciar a nossa história e memória, garantias da continuidade e autenticidade do Espiritismo.

COMISSÃO ESTADUAL DE ESPIRITISMO PROMOVE PALESTRAS E SEMINÁRIO EM ARCOVERDE NO PRÓXIMO FINAL DE SEMANA


terça-feira, 6 de setembro de 2016

SEMINÁRIO DA CASA DOS HUMILDES (RECIFE) FOCARÁ ATENDIMENTO A IDOSOS


ROTEIRO PARA EVANGELHO NO LAR



1. Escolha um dia e horário fixo mais conveniente da semana, para não ser interrompido;

2. Coloque uma jarra com água para ser fluidificada e bebida ao final do evangelho do lar;

3. Inicie com uma prece simples e espontânea, rogando a proteção dos Benfeitores Espirituais;

4. Faça leitura de um trecho de O evangelho Segundo o Espiritismo, abrindo-o ao acaso, ou na ordem sequencial dos capítulos;

5. Comente com os demais participantes sobre o assunto lido, por aproximadamente 15 minutos, evidenciando o ensino moral;

6. Em seguida faça uma rogativa a Deus, a Jesus, e aos Espíritos do Bem, em favor da harmonia do lar e dos familiares encarnados e desencarnados, extensiva também à paz entre os povos;

7. Faça uma prece de encerramento, agradecendo o amparo dos Benfeitores Espirituais;

Obs.: O evangelho no Lar não pode se transformar numa reunião mediúnica, motivo pelo qual os eventuais médiuns participantes não deverão permitir a manifestação de Espíritos, que terão o ensejo de trabalharem nas reuniões mediúnicas especializadas nesse assunto. 

Fonte: Allan Kardec, o Evangelho Segundo o Espiritismo. 

Jesus Contigo

Dedica uma das sete noites da semana ao culto Evangélico no Lar, a fim de que Jesus possa pernoitar em tua casa. Prepara a mesa, coloca água pura, abre o Evangelho, distende a mensagem da fé, enlaça a família e ora. Jesus virá em visita.

Quando o Lar se converte em santuário, o crime se recolhe ao museu. Quando a família ora, Jesus se demora em casa. Quando os corações se unem nos liames da Fé, o equilíbrio oferta bênçãos de consolo e a saúde derrama vinho de paz para todos.

Jesus no Lar é vida para o Lar. Não aguardes que o mundo te leve a certeza do bem invariável. Distende, da tua casa cristã, a luz do evangelho para o mundo atormentado.
Quando uma família ora em casa, reunida nas blandícias do Evangelho, toda a rua recebe o benefício da comunhão com o Alto.

Se alguém, num edifício de apartamentos, alça aos Céus a prece da comunhão em família, todo o edifício se beneficia, qual lâmpada ignorada, acesa na ventania.

Não te afastes da linha direcional do Evangelho entre os teus familiares. Continua orando fiel, estudando com os teus filhos e com aqueles a quem amas as diretrizes do Mestre e, quanto possível, debate os problemas que te afligem à luz clara da mensagem da Boa Nova e examina as dificuldades que te perturbam ante a inspiração consoladora do Cristo. Não demandes a rua, nessa noite, senão para os inevitáveis deveres que não possas adiar. Demora-te no Lar para que o divino Hóspede aí também se possa demorar.

E quando as luzes se apagarem à hora de repouso, ora mais uma vez, comungando com Ele, com Ele procura fazer, a fim de que, ligado a ti, possas, em casa, uma vez por semana em sete noites, ter Jesus contigo.

Joanna de Ângelis

quinta-feira, 2 de junho de 2016

ORAÇÃO POR ENTENDIMENTO



Senhor Jesus! 
Auxilia-nos a compreender mais, a fim de que possamos servir melhor, já que, somente assim, as bençãos que nos concedes podem fluir, através de nós, em nosso apoio e em favor de todos aqueles que nos compartilham a existência. 

Induze-nos a prática do entendimento que nos fará observar os valores que, porventura, conquistemos, não na condição de propriedade nossa e sim por manancial de recursos que nos compete mobilizar no amparo de quantos ainda não obtiveram as vantagens que nos felicitam a vida. 

E ajuda-nos, oh! Divino Mestre, a converter as oportunidades de tempo e  trabalho com que nos honraste em serviço aos semelhantes, especialmente na doação de nós mesmos, naquilo que sejamos ou naquilo que possamos dispor, de maneira a sermos hoje melhores do que ontem, permanecendo em ti, tanto quanto permaneces em nós, agora e sempre.  Assim seja.


Emmanuel

Mensagem extraída do livro "Paciência" 
Francisco Cândido Xavier - ed. CEU 

terça-feira, 31 de maio de 2016

PALESTRA ESPÍRITA - Desafios da Vida em Família - com Divaldo Franco

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Na raiz da criminalidade está a droga, que é um dos maiores desafios da vida humana. Nesta conferência, Divaldo fala das incertezas da vida, cita a Tsunami no Oceano Índico. Aborda os desafios da vida na Terra e a tarefa dos pais na educação dos filhos. Narra a história do bispo da igreja angelicana James Pike e seu filho Jim, que seu suicídio por ser dependente das drogas. Fala de forma descontraída sobre a imortalidade da alma e a mediunidade e encerra com a comovente história do menino Bill, demonstrando que sempre poderemos fazer muito mais.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

ALGEMAS


Indiscutivelmente, em todas as paisagens da Terra, observamos fardos e prisões que atormentam a vida...
Algemas de ódio, cristalizando a treva em torno das almas...
Algemas de egoísmo, enregelando corações...
Algemas de vingança, estabelecendo perturbações e discórdia...
Algemas do azedume, provocando amargura e enfermidade...
Algemas da ignorância, gerando chagas de penúria...

Na vida social, permanece a criatura encadeada a deveres que lhe martirizam a existência, tanto quanto no lar, antigos companheiros que ontem se acumpliciavam na crueldade, hoje se prendem uns aos outros em tremendos conflitos expiatórios...

Cada espírito renasce no berço com as algemas que forjou para si mesmo no passado próximo ou remoto, a fim de realizar a caminhada regeneradora através de lutas e problemas edificantes até o túmulo, para que o túmulo seja preciosa emancipação.

Recorda o Cristo, o grande libertador, e apresenta-lhe, cada dia, com o suor do próprio trabalho, os grilhões que porventura te releguem à inibição.

E, seguindo-lhe os passos na senda de amor que serve e perdoa sempre,compreenderás que, se a Terra em muitos casos ainda é a penitenciária do sofrimento, podes romper os cárceres que te guardam na sombra, deles fazendo a escola do reajuste e a escada da ascensão desde hoje.
-
Emmanuel
Do livro: Instrumentos do Tempo, 
Médium: Francisco Cândido Xavier

domingo, 8 de maio de 2016

Em Louvor das Mães - Mensagem de Emmanuel


O lar é a célula ativa do organismo social e a mulher, dentro dele, é a força essencial que rege a própria vida.
Se a criança é o futuro, no coração das mães que repousa a sementeira de todos os bens e de todos os males do porvir.
O homem é o pensamento.
A mulher é o ideal.
O homem é a oficina.
A mulher é o santuário.
O homem realiza.
A mulher inspira.
Compreender a gloriosa missão da alma feminina, no soerguimento na Terra, é apostolado fundamental do Cristianismo renascente em nossa Doutrina Consoladora.
Auxiliar, assim, o espírito materno, no desempenho de sua tarefa sublime, constitui obrigação primária de todos nós que abraçamos nos Centros Espíritas novos lares de idealismo superior e que buscamos na Boa Nova do Divino Mestre a orientação maternal para a renovação de nossos destinos.
Nesse sentido, se nos cabe reconhecer no homem o condutor da civilização e o mordomo dos patrimônios materiais na gleba planetária, não podemos esquecer que na mulher devemos identificar o anjo da esperança, ternura e amor, a descer para ajudar, erguer e salvar nos despenhadeiros da sombra, oferecendo-nos, no campo abençoado da luta regenerativa, novos tabernáculos de serviço e purificação.
Glorifiquemos, desse modo, o ministério santificante da maternidade na Terra, recordando que o Todo-Misericordioso, quando se designou enviar ao mundo o seu mais sublime legado para o aperfeiçoamento e a elevação dos homens, chamou um coração de mulher, em Maria Santíssima, e, através das suas mãos devotadas à humanidade e ao bem, à renunciação e ao sacrifício, materializou para nós o coração divino de Nosso Senhor Jesus Cristo, a luz de todos os séculos e o alvo de redenção da Humanidade inteira.
Pelo Espírito Emmanuel
XAVIER, Francisco Cândido. Cartas do Coração. Espíritos Diversos. LAKE.

CORAÇÃO DE MÃE


Dizem que quando a Terra foi criada
Fazendo-se possuída
Pelos filhos da vida
Que vinham de outros mundos,
Tudo na estrada humana,
Cortando a imensidão dos campos infecundos
Era a dominação do ódio que se aferra
À dissenção, à morte, ao desespero e à guerra ...
Foi quando um mensageiro
Do Céu às criaturas,
Regressou às Alturas
E disse humildemente ao Grande Deus:
- Senhor! O que posso fazer dos homens sem amor?
Do cérebro mais tardo ao gênio mais precoce,
Tudo na Terra é luta em conquistas da posse.
Compadece-te oh! Pai! ... Veneno, flecha e clava
Formam no mundo inteiro a Humanidade escrava,
Da descrença, do mal, da impiedade e do crime,
Sem qualquer esperança a que se arrime.
Já não se agüenta ouvir os urros do mais forte
E o choro dos vencidos,
Pisados, massacrados e caídos
Nos sarcasmos da morte.
Que fazer, Grande Deus, nas trevas dessa luta,
Em que a luz se nos nega e ninguém nos escuta?
Revelou-se que o Pai de Infinita Bondade,
Pensou, por muito tempo, e disse, comovido:
- Aceito, filho meu, quanto me falas,
Entendo-te o pedido! ...
Volta ao mundo a servir na tarefa em que avanças,
Os que morrem no mal renascerão crianças,
A Terra evoluirá, - ponderou o Senhor -
Ninguém alterará minha obra de amor.
A fim de desarmar a violência e a cobiça,
Instalarei no mundo a força da Justiça
E para que haja amor exterminando o orgulho,
Sem pancada, sem grito, sem barulho,
Enviarei alguém,
Que ame os filhos meus, com o meu amor ao bem,
Na exaltação da paz, sem desprezo a ninguém.
Alguém que saiba amar, a servir e a sofrer,
Cultivando o perdão como simples dever.
Dizem que foi assim
Que a Terra começou a fazer-se jardim.
Ouviu-se verbo novo, alteraram-se imagens,
E conforme o Senhor mandou e prometeu,
Entre as rudes mulheres dos selvagens,
O Coração de Mãe apareceu.
XAVIER, Francisco Cândido. Maria Dolores. Pelo Espírito Maria Dolores. IDEAL.

quinta-feira, 31 de março de 2016

O TORMENTO DO EGOISMO



Desde o momento da fissão do Self com o ego, que o eixo do equilíbrio ficou fragmentado. O esforço de crescimento intelecto-moral do ser humano deve ser o logro da perfeita identificação desses dois arquétipos com a sua consequente fusão harmônica proporcionadora do equilíbrio emocional.

Infelizmente, porém, remanescendo os instintos agressivos em predomínio na psique humana, o ego assume a diretriz do comportamento, trazendo sempre à tona os conflitos de insegurança, de insatisfação, de morbidez, que são decorrência dos períodos ancestrais percorridos antes do surgimento das emoções superiores. 

Em razão dessa governança perturbadora o ego está sempre vigilante e dominador, em luta contínua para manter-se, dominado pelo medo de perder a posição de que desfruta. Disfarçando-se com habilidade, torna-se agressivo, porque é receoso, exibe as qualidades que não possui, exatamente para superar o complexo de inferioridade para voos mais altos no conhecimento e na emoção, atribuindo-se direitos e privilégios que teme lhe sejam retirados, pouco, no entanto, preocupando-se com os deveres que lhe dizem respeito. 

É o ego que se cerca de presunção e de avareza, de ciúme e de desfaçatez, de suspeitas constantes e de censuras aos outros, de forma que não se torne conhecido, permanecendo na obscuridade dos seus propósitos enfermiços. 

Pode manifestar-se gentil com certa autenticidade, ocultando, porém, interesses mesquinhos, quais os de autopromoção e de exibicionismo, reagindo sempre quando não recebendo a resposta a que aspira nas suas artimanhas. Faz-se, então, adversário soez e persistente de todos aqueles que lhe não concedem o valor que se atribui, podendo tornar-se violento e insano. Identificado, logo se permite exteriorizar todas as mazelas que lhe são peculiares, tecendo redes de intrigas, fomentando a maledicência, pugnando pela divisão dos grupos, quando então mais fácil se lhe torna o domínio. 

O egoísmo é virose perigosa que ataca a sociedade contemporânea, qual ocorreu em todas as épocas da história da humanidade. Combatido pela ética e pela moral, tem sido motivo de cuidados especiais por todas as doutrinas religiosas, especialmente pelo Cristianismo, que nele encontra um perverso adversário da solidariedade, do amor e da lídima caridade. 

O Espiritismo, na sua condição de restaurador do pensamento de Jesus, tem, no egoísmo, a condição de bafio pestilencial, que necessita de terapia preventiva muito bem elaborada e tratamento persistente depois que se encontra instalado. 

Não ceder-se espaço ao egoísmo, sob qualquer forma em que se manifeste, deve ser a atitude do cristão sincero, do espírita consciente das suas responsabilidades. Evitar agasalhá-lo em qualquer dos seus disfarces, é uma forma segura de precatar-se da sua vigorosa constrição. Não foram poucos os missionários do bem que se permitiram tombar nas artimanhas nefastas do egoísmo, conforme hoje sucede em todos os segmentos da sociedade. 

O altruísmo, que lhe é oposto, constitui-lhe estímulo vigoroso para a união do eixo psicológico fragmentado, fazendo que o bem e o mal encontrem a emoção comum do amor que lhes é a meta a conquistar. Das nascentes do ser brotam as emoções, a princípio violentas, como resultado das experiências afligentes, tornando-se, a pouco e pouco, equilibradas e propiciadoras de felicidade. 

Na razão direta em que o Espírito desabrocha a consciência e a perfeita lucidez em torno dos objetivos essenciais da sua existência na Terra, o egoísmo vai-se diluindo e cedendo lugar à solidariedade, por facultar a vivência das emoções mais elevadas, aquelas que santificam o ser no exercício da lídima caridade. 

Passa a reconhecer o seu real valor de aprendiz da vida, facultando-se a solidariedade de que necessita, a fim de mais amplamente penetrar nas razões profundas do existir. Não se jacta, nem se subestima, permanecendo identificado com a realidade que o cerca e procurando alcançar os patamares mais nobres da evolução. 

A humildade surge-lhe naturalmente enquanto compreende a grandeza da vida e o seu papel de cooperador na obra magnífica da Criação. A alegria de viver adorna-o, dando-lhe um suave encantamento em tudo quanto faz e sente, porque se reconhece membro efetivo do conjunto universal. 

Enquanto se atormenta nas sensações do medo, da incerteza e das suspeitas, a prepotência alucina-o, porém, quando percebe que a sua segurança encontra-se no ser e não no poder, nos valores internos e não nas aquisições de fora, passa automaticamente para os comportamentos pacíficos e pacificadores.  
Colocando-se a serviço do Bem, é dúctil à verdade e ao dever, não elegendo postos nem lugares de destaque, mas dispondo-se a trabalhar em qualquer setor em que seja colocado, aí dando mostras da felicidade de produzir. Jesus, na carpintaria de Seu pai, aprendeu o ofício modesto e o exerceu, quando era possuidor do conhecimento universal. 

Podendo expressar a Sua mensagem com o verbo profundo e complexo que decifrasse os enigmas do universo, optou pela singeleza e poesia da linguagem do povo modesto, compondo poemas insuperáveis com os grãos de mostarda, peixes e pães, semeadura e sega, redes e moedas, ovelhas e azeite, ultrapassando todos os pensadores do passado e mesmo do futuro. 

Ninguém falou com a destreza e magia com que Ele narrou as maravilhas do Seu reino, estimulou os alquebrados a levantar-se e prosseguir, amparou os tíbios e os fortaleceu, recuperou os perdidos e mortos, dando-lhes significados existenciais. 

Enfrentou o farisaísmo com sabedoria, mas sem presunção, embaraçou os jactanciosos não os humilhando, e pairou acima do biótipo comum pela grandeza de que era portador, não em decorrência de homenagens e honrarias mentirosas. Recebeu com naturalidade o carinho e o destaque merecido, através das lágrimas de uma mulher recuperada do processo obsessivo e destacou que, naquele gesto, ela o embalsamava por antecipação... A honraria foi maior para aquela que lhe beijou e ungiu com perfume os pés do que Ele próprio... ...E, no entanto, é o Rei Solar! 

Recorda-te que a pérola pálida e preciosa é uma defesa do organismo da ostra à agressividade do grão de areia no seu organismo. Silenciosa e continuamente, o animálculo envolve o invasor na exsudação da sua mucosa ferida e abençoa-o com deslumbrante beleza. A humildade realiza o mesmo, quando o egoísmo tenta espezinhá-la, submetê-la e destruí-la. 

Examina as nascentes da alma e extirpa o egoísmo no seu nascedouro, trabalhando sem cansaço pela tua ascensão na obra de amor que tens pela frente, mantendo-te altruísta e solidário em tudo. Com esse poder defluente do esforço de ser melhor, alcançarás a emoção afetuosa da alegria de autossuperação das tendências infelizes, logrando as bênçãos da verdadeira fraternidade.

Joanna de Angelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco,
na noite de 9 de julho de 2010,
em Moscou, Rússia.

segunda-feira, 28 de março de 2016

O GRANDE SERVIDOR


"Sim, estou entre vós como quem serve." Jesus (Lucas 22:27) 

Sim, o Cristo não passou entre os homens como quem impõe. Nem como quem determina. Nem como quem governa. Nem como quem manda. 

Caminhou na Terra à feição de servidor. Legou-nos o Evangelho da Vida, escrevendo-lhe a epopéia no coração das criaturas. 

Mestre, tomou o próprio coração para sua cátedra. Enviado Celestial, não se detém num trono terrestre e aproxima-se da multidão para auxiliá-la. 

Fundador da Boa Nova, não se limita a tecer-lhe a coroa com palavras estudadas, mas estende-a e consolida-lhe os valores com as próprias mãos. 

A prática é seu modo de convencer. O próprio sacrifício é o seu método de transformar. Aprendamos com o Divino Mestre a ciência da renovação pelo bem, elevando pessoas e melhorando situações, é servir sempre como quem sabe e fazer é o melhor processo de aconselhar. 

Emmanuel 
psicografado por Francisco C. Xavier - Grupo Espírita "Os Mensageiros"

terça-feira, 15 de março de 2016

PRECE DO ALVORECER


Acordei quando a manhã se vestia de luz para receber o dia. O sol, espreguiçando-se por detrás das nuvens, derramava seus raios mornos pela terra. Abrindo a janela, senti uma grande alegria e desejei orar ao Criador de todas as coisas, ao Pai de todos nós. 

Queria dizer tantas coisas! Mas como se pode, sendo tão pequeno, dizer coisas grandiosas a quem é tão onipotente? Desejei abraçar o dia e servir, fazer algo útil, bom, especial. Como se pode agradecer ao pai generoso por tantas dádivas senão buscando se tornar um servidor para as suas criaturas? 

Entre a timidez e a emoção, com o coração a cantar em descompasso no peito, comecei: Meu Deus e meu Senhor. Eu gostaria tanto de poder colaborar contigo. Eu gostaria de ser um jardim de flores, de todas as cores, para embelezar a terra. 

Mas, na pobreza que minha alma encerra, se não puder ser um jardim, deixa-me ser uma rosa solitária, em uma fenda da rocha, colocando beleza no painel nobre da natureza. Eu gostaria de ser um canteiro perfumado, aonde as abelhas viessem colher o néctar, para produzir o mel que alimentaria bocas infantis. 

Eu gostaria de ser um trigal maduro, para colocar pão na mesa da humanidade. Mas, é demais para mim. Como não poderei ser uma seara, ajuda-me a ser o grão, que caindo no chão, se multiplique num milhão. E me transforme em pão para os meus irmãos. 

Eu gostaria de ser um pomar de frutos maduros para acabar com a fome. Mas na pobreza que me consome, te venho pedir para ser uma árvore desgalhada, projetando sombra na estrada. Talvez alguém, em passando de mansinho, por esse caminho possa me dizer "olá". 

E respondendo, eu estenda a mão e me ofereça: "sou teu irmão, sou teu amigo." Eu gostaria de ser como uma chuva generosa, que caísse na terra porosa e reverdecesse o chão. Mas, como não conseguirei, então, te pedirei para ser um copo de água fria que mate a sede de quem anda na desesperação. 

Eu gostaria de ser um riacho que descesse a encosta da montanha cantando, por entre as pedras, ofertando linfa refrescante às árvores que protegem o solo. Meu Deus! Eu gostaria de ser como a via-láctea de estrelas para que as noites da Terra fossem mais belas e a dor debandasse, na busca de um novo dia. Mas, na minha pequenez, sem conseguir, te quero pedir para ser um pirilampo na noite escura, iluminando a amargura de quem anda na solidão. 

Eu gostaria de ser um poeta, um artista, um trovador. Quem sabe um cantor, um esteta, orador para falar da magia e da beleza da tua glória. Mas, como eu quase nada sou, como me falta o verbo, a mestria, então, eu te peço, Senhor, para ser o companheiro da criatura deserdada. Deixa-me caminhar pela estrada e estender a mão a quem anda solitário e triste. 

Deixa-me ser-lhe a mão de sustento e lhe dizer: "sou teu irmão, estou contigo. Vem comigo." 

*** 

Agradece a Deus a tua existência. Exalta-Lhe o amor por meio dos deveres retamente cumpridos. Louva-O, sendo-Lhe um servidor devotado e fiel. 
Apresenta-O para a humanidade, tornando-te exemplo de amigo e irmão em todas as circunstâncias.

Autor:Joanna de Angelis
Psicografia de Divaldo Pereita Franco

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

CLIQUE E OUÇA: PALESTRA ESPÍRITA SOBRE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

PRECE DOS AFLITOS


Senhor Deus, Pai dos que choram,
Dos tristes, dos oprimidos.
Fortaleza dos vencidos,
Consolo de toda a dor,
Embora a miséria amarga, 
Dos prantos de nosso erro,
Deste mundo de desterro,
Clamamos por vosso amor!

Nas aflições do caminho,
Na noite mais tormentosa,
Vossa fonte generosa
É o bem que não secará...
Sois, em tudo, a luz eterna 
Da alegria e da bonança
Nossa porta de esperança
Que nunca se fechará.

Quando tudo nos despreza
No mundo da iniqüidade,
Quando vem a tempestade
Sobre as flores da ilusão!
O! Pai, sois a luz divina, 
O cântico da certeza, 
Vencendo toda aspereza,
Vencendo toda aflição.

No dia de nossa morte, 
No abandono ou no tormento,
Trazei-nos o esquecimento
Da sombra, da dor, do mal!...
Que nos últimos instantes,
Sintamos a luz da vida
Renovada e redimida
Na paz ditosa e imortal.

Emmanuel - Francisco C.Xavier
Livro: Paulo E Estevão
Paginas 162 e 163

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A NECESSIDADE DA CARIDADE


Necessidade da caridade, segundo S. Paulo 

Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine; -ainda quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas; ainda quando tivesse a fé possível, até o ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. - E, quando houver distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria. 

A caridade é paciente; é branda e benfazeja; a caridade não é invejosa; não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; - não é desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda com coisa alguma; não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. 

Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem; mas, dentre elas, a mais excelente é a caridade (S. PAULO, 1ª Epístola aos Coríntios, cap. XIII, vv. 1 a 7 e 13.) 

De tal modo compreendeu S. Paulo essa grande verdade, que disse: Quando mesmo eu tivesse a linguagem dos anjos; quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios; quando tivesse toda a fé possível, até ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. Dentre estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade. Coloca assim, sem equívoco, a caridade acima até da fé. 

É que a caridade está ao alcance de toda gente: do ignorante, como do sábio, do rico, como do pobre, e independe de qualquer crença particular. Faz mais: define a verdadeira caridade, mostra-a não só na beneficência, como também no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo. 

KARDEC, Allan. 
O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. 
Capítulo 15. Itens 6 e 7. 
Livro eletrônico gratuito em http://www.febnet.org.br.
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