sexta-feira, 7 de julho de 2017

O SUICIDA DO TREM - UM CASO RELATADO POR DIVALDO PEREIRA FRANCO


Conta Divaldo Franco: "Eu nunca me esquecerei que um dia havia lido num jornal acerca de um suicídio terrível, que me impactou: um homem jogou-se sobre a linha férrea, sob os vagões da locomotiva e foi triturado. E o jornal, com todo o estardalhaço, contava a tragédia, dizendo que aquele era um pai de dez filhos, um operário modesto. 

Aquilo me impressionou tanto que resolvi orar por esse homem. Comecei a orar por esse homem desconhecido. Fazia a minha prece, intercedia, dava uma de advogado, e dizia: - Meu Jesus, quem se mata (como dizia minha mãe), não está com o juízo no lugar. Vai ver que ele nem quis se matar; foram as circunstâncias. 

Orava e pedia, dedicando-lhe mais de cinco minutos (e eu tenho uma fila bem grande), mas esse era especial. Passaram-se quase 15 anos e eu orando por ele diariamente, onde quer que estivesse. 

Um dia, eu tive um problema que me fez sofrer muito. Nessa noite cheguei à janela para conversar com a minha estrela e não pude orar. Não estava em condições de interceder pelos outros. 

Encontrava-me com uma grande vontade de chorar; mas, sou muito difícil de fazê-lo por fora, aprendi a chorar para dentro. Fico aflito, experimento a dor, e as lágrimas não saem. (Eu tenho uma grande inveja de quem chora aquelas lágrimas enormes, volumosas, que não consigo verter.) Daí a pouco a emoção foi-me tomando, e, quando me dei conta, chorava. 

Nesse meio tempo, entrou um Espírito e me perguntou: 
- Por que você está chorando? 
- Ah, meu irmão - respondi - hoje estou com muita vontade de chorar, porque sofro um problema grave e, como não tenho a quem me queixar, porquanto eu vivo para consolar os outros, não lhes posso contar os meus sofrimentos. Além do mais, não tenho esse direito; aprendi a não reclamar e não me estou queixando. 

O Espírito retrucou: 
- Divaldo, e se eu lhe pedir para que você não chore, o que é que você fará? 
- Hoje nem me peça. Porque é o único dia que eu consegui fazê-lo. Deixe-me chorar! 
- Não faça isso - pediu. - Se você chorar eu também chorarei muito. 
- Mas, por que você vai chorar? - perguntei-lhe. 
- Porque eu gosto muito de você. Eu amo muito a você e amo por amor. 

Como é natural, fiquei muito contente com o que ele me dizia. 
- Você me inspira muita ternura - prosseguiu - é o amor por gratidão. Há muitos anos eu me joguei embaixo das rodas de um trem. E não há como definir a sensação eterna da tragédia. Eu ouvia o trem apitar, via-o crescer ao meu encontro e sentia-lhe as rodas me triturando, sem terminar nunca e sem nunca morrer. 

Quando acabava de passar, quando eu ia respirar, escutava o apito e começava tudo outra vez, eternamente. Até que um dia escutei alguém chamar pelo meu nome. Fê-lo com tanto amor, que aquilo me aliviou por um segundo, pois o sofrimento logo voltou. 

Mais tarde, novamente, ouvi alguém chamar por mim. Passei a ter cessação momentânea em que alguém me chamava, eu conseguia respirar, para agüentar aquele morrer que nunca morria e não sei lhe dizer o tempo que passou. 

Transcorreu muito tempo mesmo, para escutar a pessoa que me chamava. Dei-me conta, então, que a morte não me matara e que alguém pedia a Deus por mim. Lembrei-me de Deus, de minha mãe, que já havia morrido. Comecei a refletir que eu não tinha o direito de ter feito aquilo, passei a ouvir alguém dizendo: "Ele não fez por mal. Ele não quis matar-se." 

Até que um dia esta força tão grande que me atraiu; aí eu vi você nesta janela chamando por mim. - Eu perguntei - continuou o Espírito - quem é? Quem está pedindo a Deus por mim, com tanto carinho, com tanta misericórdia? Mamãe surgiu e esclareceu-me: - É uma alma que ora pelos desgraçados. - Comovi-me, chorei muito e a partir daí passei a vir aqui, sempre que você me chamava pelo nome.  Obs: Note que eu nunca o vira, em face das diferenças vibratórias. 

- Quando adquiri a consciência total - prosseguiu ele - já se haviam passado mais de 14 anos. Lembrei-me de minha família e fui à minha casa. Encontrei a esposa blasfemando, injuriando-me: "Aquele desgraçado desertou, reduzindo-nos à mais terrível miséria. A minha filha é hoje uma perdida, porque não teve comida e nem paz e foi vender-se para tê-la. Meu filho é um bandido, porque teve um pai egoísta, que se matou para não enfrentar a responsabilidade. Deixando-nos, ele nos reduziu a esse estado." 

Senti-lhe ódio terrível. Depois, fui atraído à minha filha, num destes lugares miseráveis, onde ela estava exposta como mercadoria. Fui visitar meu filho na cadeia. Aí, Divaldo, eu comecei a somar às dores físicas a dor moral, dos danos que o meu suicídio trouxe porque o suicida não responde só pelo gesto, pelo ato de autodestruição, mas, também, por toda uma onda de efeitos que decorrem do seu ato insensato, sendo tudo isso lançado a seu débito na lei de responsabilidades. 

Além de você, mais ninguém orava, ninguém tinha dó de mim, só você, um estranho. Então hoje, que você está sofrendo, eu lhe venho pedir: em nome de todos nós, os infelizes, não sofra! Porque se você se entristecer, o que será de nós, os que somos permanentemente tristes? Se você agora chora, que será de nós, que estamos aprendendo a sorrir com a sua alegria? Você não tem o direito de sofrer; pelo menos por nós, e por amor a nós, não sofra mais. 

Aproximou-se, me deu um abraço, encostou a cabeça no meu ombro e chorou demoradamente. Doridamente, ele chorou. 

Igualmente emocionado, falei-lhe: 
- Perdoe-me, mas eu não esperava comovê-lo. 
- São lágrimas de felicidade. Pela primeira vez, eu sou feliz, porque agora eu me posso reabilitar. Estou aprendendo a consolar alguém. E a primeira pessoa a quem eu consolo é você. 

Aliás, o fato que merece ser ressaltado nesta história, é que Divaldo não o auxiliou através da sintonia mediúnica, visto que ele não foi trazido à reunião. O médium, porém, prestou-lhe socorro por meio da prece. 

Ah! O refrigério da oração! Possibilitou-lhe, de imediato, uma pausa (no torvelinho de seus sofrimentos), numa fração de tempo, quando ouviu o seu nome e se sentiu balsamizado pelo amor. 

Do livro: O Semeador de Estrelas 
Autor: Suely Caldas Schubert

sábado, 27 de maio de 2017

MAIO - 29º ANIVERSÁRIO DO CEMIL


O CEMIL – Centro Espírita Missionários da Luz foi fundado em 22 de maio de 1988 por Felicidade Trajano Branquinho, Arleide Maria de Souza, José Anchieta de Araújo e Olindina Luciano. O grupo teve início a partir de reuniões semanais de estudos do ‘Evangelho no Lar’ na residência de Felicidade Trajano Branquinho, que por sua vez tivera contato com a doutrina através das casas espíritas ‘Eurípedes Barsanulfo’ e ‘NEASA- Núcleo Espírita Assistencial  de Arcoverde’  em 1983. 
Com o crescimento do grupo de estudo na residência de Felicidade, esta construiu com ajuda de amigos um pequeno salão nos fundos de sua casa e em 22 de maio fundaram a SEMIL, com “S” pois na época foi registrado como SOCIEDADE ESPÍRITA. Posteriormente com a mudança no Código Civil a denominação passou a ser ASSOCIAÇÂO ESPÍRITA com a sigla ASSEMIL.  Na atualidade a denominação definitiva é CEMIL- Centro Espírita Missionários da Luz.

 As reuniões públicas do CEMIL acontecem aos domingos, às 19:00h.  
O Cemil teve seus estatutos publicados pelo Diário Oficial em 29/12/90 (edição 24, pag.23) e no mesmo ano tornou-se adesa da FEDERAÇÃO ESPÍRITA PERNAMBUCANA; seu registro em cartório data de 16/01/91.  O Cemil é reconhecido, pelos seus serviços prestados, como Entidade de Utilidade Pública pela Lei Municipal nº 158/97  de 25 de junho de 1997.   

terça-feira, 18 de abril de 2017

18 de abril - 160 ANOS DO LIVRO DOS ESPÍRITOS

160 ANOS DE O LIVRO DOS ESPÍRITOS (1857 - 2017)


O ensino contido em “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” resume toda a Doutrina Espírita e projeta uma nova concepção do homem, uma nova concepção do universo e a sintonia de ambos com Deus. 

A sua estrutura didática apresenta-nos: ​ 
  • a existência de Deus, a criação divina e o homem no contexto universal; 
  • a natureza espiritual do homem e sua relação com os Espíritos, a investigação do mundo de após a morte, bem a revelação da lei da reencarnação; 
  • o descortinar das leis divinas ou naturais; as penas e recompensas futuras; 
  • e Jesus como modelo de perfeição humana. 

Como nos lembra Herculano Pires, na obra Pedagogia Espírita, “O Livro dos Espíritos não é apenas um repositório de informações a serviço da Didática Espírita, é também um manual de aperfeiçoamento humano”, favorecendo ao homem o verdadeiro e profundo entendimento sobre a educação moral e sobre a arte da formação do caráter, que irá renovar os indivíduos e a sociedade. 

Neste momento em que celebramos os 160 Anos de “O Livro dos Espíritos” devemos estar atentos à grande oportunidade de divulgação do Espiritismo, tanto pela importância da obra, bem como pelo seu conteúdo didático. Essa obra é o alicerce da Doutrina, escrita por Espíritos Superiores, sendo analisada, comentada e organizada por um educador: Allan Kardec. 

Atendamos ao chamado do Cristo: “Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, item 5.). E, ainda, pratiquemos o que nos ensina Emmanuel, no livro Estude e Viva, cap. 40, FEB – “O Espiritismo nos solicita uma espécie de caridade – a caridade de sua própria divulgação.” 


quinta-feira, 13 de abril de 2017

A PÁSCOA NA VISÃO ESPÍRITA

O ESPÍRITO



O conceito de espírito é fundamental ao Espiritismo e à sua adequada compreensão e utilização como ferramenta para o crescimento pessoal e social. Não há, portanto, condições de se utilizar idéias a respeito do espírito que, apesar de serem parte do senso comum, estão distantes da realidade. O objetivo é promover uma interpretação que liberte. Com freqüência, as pessoas relacionam a idéia de espírito à morte, mas, para a Doutrina Espírita, o espírito não está associado à dor, à tristeza ou às lágrimas. 

Na realidade, com o entendimento do que é espírito, a morte deixa de significar a extinção do ser, a barreira intransponível, desaparecendo na afirmação da unidade entre o material e o espiritual. Para o Espiritismo, o espírito não é o fantasma ou a assombração. O espírito não arrasta correntes, não agita cortinas, não bate portas, não veste lençóis. Não geme ou grita no meio da noite. Ele não é etéreo, vaporoso ou indefinido. Não é um anjo no céu. Não se encontra no além, na penumbra, no vazio, no escuro, na noite ou no frio. 

O espírito não se faz sentir através de um calafrio, arrepio, calor ou formigamento. Ele não puxa, nem repuxa ou entorta. Não está em cima, nem está atrás ou sobre os ombros. Não encosta, nem incorpora. Não cochicha e não sussurra no ouvido. Para a Doutrina, o espírito não obsedia ninguém, não volta para se vingar, não atormenta, não faz com que as coisas dêem errado. Não aceita "trabalhos" ou "despachos", não aceita oferendas, subornos, chantagens ou sacrifícios. Não é comandado por rituais. 

O espírito não resolve os problemas dos outros e não determina o que as pessoas devem fazer. O espírito desencarnado não é poderoso. Não se preocupa em proteger alguém em especial. Não comanda forças sobrenaturais. Não dispõe de recursos mágicos. Não adivinha o futuro. O espírito conhece apenas na medida de suas experiências, vivências, convivências. Seus erros e acertos, o resultado de suas ações, são decorrentes de seus conhecimentos. 

O imaginário das pessoas confere aos espíritos desencarnados uma série de características que não são deles, mas da fantasia da cultura material. Refletem os mitos, os medos, as angústias, as expectativas, as dificuldades com a morte física e com o significado da vida. Na visão centrada em si mesmo, o polissistema material cria a ilusão de que os espíritos desencarnados estão à sua volta, girando em torno de seus interesses, problemas, angústias e dificuldades. 

Para o Espiritismo, os espíritos desencarnados não estão à disposição das pessoas e suas atividades não se desenvolvem particularmente em torno do polissistema material. A atuação dos espíritos desencarnados junto ao polissistema material, quando ocorre, se faz com um significado, um objetivo, dentro de uma ética, que orientam a interação entre o polissistema material e o polissistema espiritual. Essa interação promove aprendizagem e crescimento mútuos. 

Para a Doutrina, o espírito, encarnado ou desencarnado, tem como objetivo ampliar a sua consciência, evoluir. Ao reencarnar, o espírito insere-se no polissistema material, assumindo perspectivas e referenciais da cultura material. O desencarne é apenas uma mudança de fase, uma alteração de freqüência, uma substituição de referencial. Ao trocar o referencial da cultura material pelo referencial da cultura espiritual, mais amplo, o espírito tem condições de acessar e operar, com maior facilidade, o conjunto de conhecimentos que domina. 

O espírito encarnado e o desencarnado, portanto, se diferenciam na mentalidade, na massa crítica, na operação dos sistemas culturais, nos referenciais utilizados, mas não em seus objetivos. O espírito se caracteriza pela soma das experiências, dos conhecimentos em sentido amplo, acumulados ao longo das suas existências: os conceitos, as idéias, os sentimentos, as emoções, os sonhos, os amores, os ideais, as construções, as avaliações, as escolhas e decisões, os erros e os enganos, as realizações, os relacionamentos, as convivências, os encontros. 

O espírito é a inteligência, a afetividade, os valores, a vontade, a ação e a construção, a individualidade, a consciência, a singularidade. É o ator e o portador da cultura (A. Grimm). O espírito assume funções, desempenha papéis, ocupa espaços de sentido, sustenta compromissos, norteia-se por objetivos. Determina uma trajetória no exercício de seu livre-arbítrio que lhe permite romper suas limitações e aplicar, disponibilizar, suas habilidades e capacidades. 


Para a Doutrina, o espírito é o ser inteligente do Universo, que, pelo exercício de sua inteligência (inovação, descoberta, invenção e criação), constrói a consciência de sua individualidade, a consciência em relação a outros espíritos e a consciência de seu papel na estruturação inteligente do Universo. 

sábado, 8 de abril de 2017

PALESTRA ESPÍRITA - Dr. Décio Landoli: SER ESPÍRITA PARA QUE?

TRAÇOS DO CARÁTER ESPÍRITA


Humildade sem subserviência. 
Dignidade sem orgulho
Devotamento sem apego
Alegria sem excesso
Liberdade sem licença. 
Firmeza sem petulância. 
sem exclusivismo. 
Raciocínio sem aspereza. 
Sentimento sem pieguice. 
Caridade sem presunção
Generosidade sem desperdício. 
Conhecimento sem vaidade. 
Cooperação sem exigência. 
Respeito sem bajulice. 
Valor sem ostentação. 
Coragem sem temeridade. 
Justiça sem intransigência. 
Admiração sem inveja. 
Otimismo sem ilusão. 
Paz sem preguiça.

André Luiz
Psicografia de Chico Xavier

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