sábado, 31 de outubro de 2015

O ESPÍRITA E O RESPEITO AOS MORTOS



Como espíritas sabemos perfeitamente que o espírito que animou o corpo, já reduzido a pó e cujos restos se encontram na intimidade de um tumulo, ali não permanece jungido a espera de visitação. Mas isto não significa que a alma desencarnada seja insensível às almas amigas que buscam reverenciá-las ainda que à beira de uma tumba da qual não estão fazendo efetivamente a sua morada. 

Certamente, vão se aproximar dos visitantes, recolher as preces sinceras que partem dos corações sensíveis, vão abraçá-las, encorajá-las, chorar juntas, oscularem-se, consolarem-se. É bem verdade que os estados espirituais não são os mesmos, as reações não são iguais e as vibrações podem não ser das melhores. Mas a lembrança, com certeza, nunca vai ser pior que o abandono. 

Em O Livro dos Espíritos na questão 320 quando Allan Kardec pergunta se os Espíritos se sensibilizam quando lembrados por aqueles que lhe foram caros na Terra respondem: “Muito mais do que podeis supor. Se são felizes, esse fato lhes aumenta a felicidade. Se são desgraçados, serve-lhes de lenitivo”. 

Nas perguntas seguintes sobre o tema aduzem os espíritos: “Os espíritos acodem nesse dia ao chamado dos que na Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer.” (Q. 321). “Nesse dia, em maior número se reúnem nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento. Porém, cada Espírito vai lá somente pelos seus amigos e não pela multidão dos indiferentes.” (Q.321-a) “Aí comparecem sob a forma que tinham quando encarnados”. (Q. 321-b) Na questão 322 Allan Kardec questiona como se comportam aqueles esquecidos, cujos túmulos ninguém vai visitar, e se experimentam algum pesar por verem que nenhum amigo se lembra dele, ao que os espíritos respondem: “Que lhes importa a Terra? Só pelo coração nos achamos a ela presos. Desde que ai ninguém mais lhe vota afeição, nada mais prende a esse planeta o Espírito, que tem para si o Universo inteiro.” 

Prosseguindo até a questão 329 de O Livro dos Espíritos, onde Allan Kardec ouve os espíritos sobre a Comemoração dos Mortos e Funerais, chegamos à conclusão de que devemos respeitar aqueles que ainda tem esse costume, as vezes muito freqüentes, aproveitando o ensejo, quando possível, para falar-lhes respeitosamente sobre a imortalidade da alma, obre a proximidade dos desencarnados com os que aqui permanecem e sobre a possibilidade concreta de ajudarem-se mutuamente. Ressaltar sobre o valor da prece que deve ser exercitada em beneficio dos desencarnados, não exclusivamente em cemitérios, mas no nosso dia a dia através do pensamento de gratidão adornado por gestos altruístas que lhes possam agradar. 

O que queremos dizer nestas singelas palavras é que não devemos desmerecer aqueles que ainda precisam dessa manifestação exterior como forma de validar ou de materializar esse sentimento de apreço e gratidão àqueles que já partiram e que em seus corações deixaram a marca indelével da saudade. Embora no meio espírita seja prática quotidiana orar por encarnados e desencarnados, respeitemos esse costume que enseja a aproximação entre aqueles que se amam nas duas humanidades que se entrelaçam.

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